A Ponte de Gelo da Dona Gralha

Capítulo 1: A manhã da ponte bamboleante
Dona Gralha acordou cedo, espreguiçou as asas e foi dar uma volta pela Floresta dos Coquinhos, onde as árvores tinham cascas enrugadas e o vento fazia cócegas nas folhas.
Logo ela viu o problema do dia: a ponte de madeira que cruzava o riacho estava torta, pulando para lá e para cá como se tivesse ensaiado uma dança sem ninguém convidar.
— Hummm — ela cacarejou, com a cara mais séria que conseguiu fazer. — Uma ponte assim merece uma reforma real oficial!
Ela puxou um gravetinho, empurrou uma pedrinha, mediu a distância com o bico e decidiu que, sozinha, daria conta de tudo. Afinal, Dona Gralha era conhecida por ser esperta, curiosa e um pouquinho teimosa.
Capítulo 2: O plano brilhante que quase virou bagunça
Dona Gralha começou com energia de sobra. Empilhou folhas secas, juntou cipós, chamou duas formigas carregadeiras para um canto e pediu que um ouriço segurasse uma ponta da madeira.
— Se eu subir aqui, depois empurro aquilo, então amarro aquilo ali... — ela murmurava, fazendo contas com o bico e mudando de ideia a cada minuto.
Mas a ponte parecia ter opinião própria. O cipó escorregou. As folhas voaram. O ouriço espirrou. E as formigas, muito educadas, continuaram trabalhando como se dessem risada por dentro.
Dona Gralha parou no meio da confusão e piscou.
— Talvez eu esteja tentando fazer serviço demais ao mesmo tempo.
Então ela respirou fundo, olhou para o riacho e percebeu que a água seguia tranquila, sem pressa nenhuma, contornando as pedras como quem sabe o caminho.
Capítulo 3: A ajuda que veio voando
Dona Gralha chamou o senhor Castor, que morava na margem e entendia tudo de madeira, encaixe e tronco bem firme. Chamou também a Dona Sabiá, que tinha um olho excelente para alinhamento, e até o sapo Tobias, que tinha braços curtinhos, mas um enorme talento para avisar quando algo estava torto.
Juntos, eles tiraram galhos velhos, trocaram tábuas quebradas e colocaram apoio novo por baixo da ponte. Cada um fez um pedacinho, e cada pedacinho foi ficando mais forte que o anterior.
Quando terminaram, a ponte ficou segura, reta e até um pouco elegante. Dona Gralha passou primeiro, bem devagar, depois deu três pulinhos de alegria.
— Funcionou! — ela gritou. — E ainda sobrou tempo para aprender que até uma gralha muito esperta fica mais esperta quando trabalha em equipe.
A floresta inteira concordou. E, do outro lado do riacho, o vento bateu nas folhas como se estivesse aplaudindo a melhor reforma da estação.

